terça-feira, 23 de agosto de 2016
Você saudades
As vezes bate uma saudade de não sei quem ou de não sei o que e em princípio parece coisa inexplicável. Aí, procurando de um lado, num instante, de repente, você de outro canto invade meu pensamento e o inexplicável se explica, mas paradoxalmente a saudade aumenta. Pensando sobre isso concluí que nem sempre saber qual moléstia nos acomete ajuda a diminuir o desconforto que esta causa, muito vezes, ao contrário, só faz acentuar as dores. Mesmo assim serve de algum alento das moléstias saber as cores. Enfim, você moléstia, mas você não remédio: você saudades.
quinta-feira, 21 de julho de 2016
Maria teve escolha?
Já adianto ao
leitor mais sensível e religioso que não siga neste texto, pois se minha fé na
divindade não existe, tampouco existe o freio destes dedos profanos. Espero,
porém, que os mais audazes me perdoem a franqueza e a falta de conhecimento
teológico, e que rezem por mim para que não me aconteça de um fiel muito fiel
me cobrar o preço de minha vida pela blasfêmia que segue.
Na onda dos
debates sobre as relações de opressão que as mulheres sofrem pelo machismo estrutural,
penso haver um caso no mínimo muito estranho no mito cristão. Maria, mãe de
Jesus, sofreu algum tipo de violência sexual? Eis a pergunta que me fiz por um
tempo - se acaso o leitor sensível e religioso me seguiu até aqui, peço que se
for impossível não me odiar, que ao menos me faça justiça e que assuma que eu
avisei para não continuar lendo.
A curiosidade
matou o gato, e espero que a minha não me mate. De qualquer forma, me ungi com
as pulgas atrás da orelha e me coloquei a pesquisar a resposta de minha dúvida
profana. Fui buscar na leitura de meu xará algumas respostas, e para o leitor
religioso que até aqui se aventurou a resposta que Maria me deu é que não houve
estupro por parte de deus, pois houve consenso naquela cópula, já que ela
disse: - “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra”.
Ocorre que
normalmente as mulheres acobertam os agressores por medo da violência do
mesmos, e era bem conhecida a ira e a vingança do deus do antigo testamento,
e não tendo Jesus nascido para ensinar os paranauês do amor e tal, é pouco
provável que Maria ousasse se opor ao apetite sexual divino – o coitado do
Zacarias que o diga, pois simplesmente por duvidar da gravidez de sua mulher
Izabel (tenho dúvidas sobre a verdadeira paternidade de João) fez com que a
divindade o deixasse um bom tempo mudo.
No texto de meu
xará diz que o anjo Gabriel invadiu a casa de Maria, e tendo ela se assustado o
mesmo disse: - “Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus”. Após
isso ele anunciou o seguinte à pequena virgem: - “E eis que em teu ventre
conceberás, e darás a luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus”. Maria,
surpresa, pergunta ao anjo como isso seria possível se ela ainda não conhecia
os prazeres da carne, ao que ele responde: - “Descerá sobre ti o Espírito
Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra”.
O que chama a
atenção em toda essa história é que em momento algum o anjo pergunta a Maria se
ela aceitava tudo o quanto era proposto, ou seja, que se tornasse mãe, mas sim
anunciava o que o altíssimo já tinha decidido de si para si fazer. Embora Maria
tenha aceitado aquele desígnio até com certa alegria dadas as promessas feitas
pelo pai do menino vindouro (“Este será grande e será chamado Filho do
Altíssimo;; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará
eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim”) a atitude da jovem se
assemelha muito mais a subserviência à divindade e resignação com o mal (ou
bem) do qual não poderia se livrar do que uma ação fruto de escolha.
O final da
História é bem conhecido, pois o menino cresceu pobre e morreu numa cruz perguntando
aos berros ao seu pai: - “Por que me abandonaste!?”; Maria chorou a morte do
filho com amigos. Embora a divindade seja metafísica e Maria um ser palpável, o
que os coloca em planos distintos e desmistifica em mim a ideia de abuso sexual
e abuso de poder, eis a dúvida que ainda me atormenta, caro leitor: Maria teve
escolha?sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Alunos realizam reintegração de posse
Conforme
últimas notícias, já são oito (hoje, dia 16/11, mais de 20) escolas ocupadas por alunos no estado de São
Paulo. Estes alunos estão reivindicado o fim da reorganização (desorganização)
que o governo está propondo para o ano que vem, e já que nunca ninguém os procurou
para perguntar o que achavam, resolveram ocupar as escolas, fazendo, assim, a única coisa que realmente
chamaria a atenção da sociedade para a arbitrariedade que estão cometendo
contra eles.
Certo
é que muitos olharão para estes alunos e dirão que são vândalos, que somente
deveriam se importar se por acaso fosse faltar vagas ou coisa assim. Alguns mais radicais
ainda dirão que deveriam apenas “estudar, o que muitos dos alunos envolvidos
não fazem”, ainda que não os conheçam. Seja como for, só uma falta de
sensibilidade gerará este tipo de comentário.
Estes
alunos estão lutando pelo direito de permanecerem na escola que criaram laços,
seja intelectuais, seja efetivo ou de amizade. Qualquer um destes motivos são
justos. Nunca e em nenhum momento foram consultados para que sua opinião fosse
ouvida; nem as suas e nem a de seus pais. A decisão de fechar 94 escolas em
todo o estado e fazer com que outras centenas tenham sua rotina alterada foi
tomada autoritariamente, de cima para baixo, com o pretexto tacanho de que
seria para melhorar a qualidade de ensino. Só alguém com um alto grau de
cegueira social e política para acreditar nessa desculpa esfarrapada, pois o
que está implícito no discurso e explícito nas ações do atual governo é a “diminuição
de gastos” com a educação. E isso não é de agora.
Em
2013, por exemplo, o mesmo governador, por meio da Secretaria Estadual da
Educação, abriu concurso para a contratação de 59 mil professores em todo o
Estado. Alguns mais cegos acreditaram que esta medida seria para alavancar de
vez a educação em São Paulo. Contudo, esses 59 mil professores não seriam
contratados como acréscimo no plantel, mas unicamente para cobrir o rombo de
professores que as escolas públicas tinham.
Obviamente
este concurso foi feito e, em 2014, por conta das eleições, foi usado como “prova”
para o eleitorado de que o governador (candidato a reeleição) era um ser
preocupado com a educação dos jovens. Ocorre que estamos já no final de 2015 e
até agora não foram chamados todos os 59 mil professores. Pior que isso, ainda
tentou por meio do decreto 64466 impedir que o Estado contratasse novos
funcionários, ainda que estes fossem necessários e remanescentes de concursos
ainda em período de vigência (incluindo professores).
Também
é sabido entre professores e funcionários de escolas estaduais que desde o meio
do ano passado o governo tem realizado cortes nas áreas mais básicas, deixando
faltar, inclusive, produtos básicos de higiene nas escolas. Este mesmo governo
que com a “reorganização” visa melhorar a Educação é o governo que mantém o
sigilo das correções, provas e gabaritos do SARESP, divulgando apenas os
resultados que, como é de se esperar, sempre apontam para o “ótimo desempenho
das escolas paulistas”.
Este
mesmo governador que agora manda a PM sitiar os alunos nas escolas ocupadas
ainda este ano mandou a polícia contra os Professores que lutavam por melhores
condições de trabalho e salariais. O que é pior: mandou a policia e negava a
existência da greve que bateu o recorde e permaneceu por mais de 90 dias.
Não
há como acreditar nessa balela de que a reorganização visa melhorar a Educação.
Por mais que o senhor secretário diga em público que não há fechamento de
escolas, mas sim uso destes espaços para outros fins, ainda que educacionais,
estes prédios serão utilizados por entidades empresariais e comerciais visando
formação de mão de obra ou serão passados às prefeituras. Seja como for, não ficará
mais a cargo do Estado a manutenção do prédio nem dos funcionários, e corta-se
o que o governo chama de gastos.
Por
todos estes motivos, torna-se justa a tomada das escolas pelos alunos, pois
somente assim suas vozes estão sendo ouvidas. Governador, Secretário da
Educação, Dirigentes das DEs nem diretores de escola consultaram pais e alunos
(principais interessados e tocados pela mudança) para ouvirem suas opiniões; em
momento algum se levou em conta os transtornos que ocorreriam para os alunos
que serão realocados; tampouco se pensou nos muitos professores que, fechadas
suas sedes, terão que percorrer várias escolas para completar sua carga; enfim,
não se pensou em nada mais do que dar um duro golpe na educação pública
paulista, que, a título de melhoria, tem claros interesses de “diminuir gastos”
e sucatear mais ainda o combalido sistema educacional público deste estado.
Ironicamente o governador que nega a greve
manda a polícia bater em professores; ironicamente o governador que não hesita
em fechar escolas pede reintegração de posse de escolas cujos alunos estão
ocupando. Senhor governador, o que o senhor chama de invasão e depredação de
patrimônio público na verdade é justamente uma reintegração de posse que os
alunos estão fazendo, tomando para si o que lhes pertence e que o senhor deles
quer tirar; já o que o senhor quer chamar de reintegração de posse nada mais é
do que depredação de patrimônio público e um crime contra a educação e contra
estes jovens que resistem às tuas politicas tacanhas, autoritárias e
truculentas. Em vez de policiais, por que o senhor não envia professores pra
sitiarem as escolas?
Todo
o apoio e respeito aos estudantes que bravamente ocupam e resistem aos
desmandos do governo paulista!
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Quando eu estiver velho
Quando eu estiver
bem velho, olharei para o meu passado e farei um balanço de minha caminhada. Certamente
analisarei minhas ações com certa complacência, mas não deixarei de admitir os
muitos erros que já cometi e que cometerei ao longo de minha vida.
É quase certo que
sentirei um pesar pelos beijos que não dei, abraços curtos que poderiam ser longos,
amores que recusei e amores frustrados que senti. Certamente ficarei chateado
tendo de assumir que enquanto Professor poderia ter feito muito mais. Contudo,
nesse dia certamente não terei que passar pela vergonha de ter de admitir que,
quando jovem, tentei “melhorar” meu país batendo panelas dentro de casa ou que
fui numa micareta vestido com a camisa da CBF (entidade inegavelmente corrupta)
tirar fotos com policiais militares acreditando estar fazendo revolução e
lutando contra a corrupção.
Não poderei
dizer que estudei a resistência dos materiais, mas que participei da
resistência daqueles que sobrevivem numa sociedade de exclusão, daquele que
mesmo sem precisar lutam por direitos de outros que estão sendo espoliados,
desrespeitados.
Direi que em
parte de minha vida (espero que a maior parte), certo ou errado, junto com
companheiros valiosos, fui às ruas lutar contra as injustiças sofridas pelos
meus concidadãos, principalmente os que têm suas vozes abafadas ou caladas.
Vou, enfim,
poder dizer que o dito popular não é tão verdadeiro assim, pois será justamente
por algo que não fiz que me livrarei de sentir uma tremenda vergonha.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Escola "doutrinadora"
Numa discussão sobre o fechamento de escolas no estado de
São Paulo houve quem dissesse que não se importava muito com tal fato, posto
que seria melhor que isso ocorresse do que se instalasse escolas
"doutrinadoras".
Sendo assim, farei este pequeno ensaio para discutir tal
assertiva de um dos arautos da sapiência, bastião da verdade.
A escola no Brasil (e no mundo), e em especial no Estado de
SP, sempre foi e ainda é “doutrinadora” sim. Para atestarmos isso basta olharmos
para sua história, desde aquilo que seria sua gênese: a catequese. A catequese
visava e visa até hoje formar cristãos entre as crianças, ensinando-as desde
cedo a sua doutrina.
Mas beleza, vamos falar do profano, deixando o “sagrado” em
paz, e voltar os olhos para fora do Brasil e longe de nossos tempos.
Após a Revolução Francesa, quando caiu o Antigo Regime, uma
das primeiras ações pensadas pelos novos líderes foi a criação de escolas
publicas onde se tivesse, entre outras coisas, o ensino de História. Com isso
objetivava-se ensinar as crianças sobre os ideais iluministas e republicanos,
garantindo o futuro do regime e a vitória da Revolução.
Situação parecida tivemos durante a ditadura militar no
Brasil, quando o regime suprimiu do curriculum escolar matérias como História,
Geografia, Sociologia e Filosofia, instituindo outras como Educação Moral e
Cívica e as famosas OSPB (Ordem Social e Política Brasileira) e Estudos Sociais
(onde se aprendia o hino e as datas "históricas), numa clara tentativa de impedir que determinados
conhecimentos fossem transmitidos e que a ordem implantada a força não fosse
contestada.
Seja pelo conteúdo proposto ou suprimido, seja por
discussões feitas ou sumariamente impedidas de acontecer, sempre e em todos os
tempos a educação ministrada atendia a propósitos muitas vezes inconfessáveis.
Como diria Paulo Freire, “a educação é ideológica”.
Existe, entretanto, um grupo de pessoas que justamente por
ter estudado nas escolas públicas paulistas afirma veementemente que partido A
ou B está tentando doutrinar as crianças, como se a educação de hoje (ou de um
passado recente) fosse isenta de ideologias, fosse um espaço neutro e as
crianças de lá saíssem incólumes. Este tipo de ideia é prova cabal de que neste
estado a educação é ideológica e atende a interesses tacanhos. As pessoas que
sustentam essa posição equivocada são as mesmas que têm aversão aos livros, que
defenestram Paulo Freire sem nunca sequer ter lido uma de suas obras, que
desconhecem o processo histórico do próprio país, que não têm pensamento
reflexivo (mas que são ótimas em decorar e repetir frases prontas), que não
abstraem, e por isso mesmo não se dão conta de que sua condição é fruto
justamente do projeto politico, cultural, econômico e social que estas escolas
cumprem.
Sinto dizer, meus caros, mas vocês são prova de que a
escola pública que o estado de São Paulo oferece é sim doutrinadora, e sua doutrina
é a universalização da ignorância.
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Pero sigo siendo el rey
Uma entrevista num canto obscuro do palácio dos deputados...
- Eduardo Cunha, por que você colocou em votação essa emenda aglutinativa de uma matéria rejeita ainda ontem?
- Eduardo Cunha, por que você colocou em votação essa emenda aglutinativa de uma matéria rejeita ainda ontem?
- Por que ela não
passou ontem, deerrr!
- Mas e se não tivesse
sido aprovada essa emenda aglutinativa?
- A gente daria outra
aglutiadinha e colocaria pra votar amanhã!
- Mas Eduardo, seria o
mesmo texto rejeitado duas vezes. Isso não pode!
- Não seria não! Olhe
bem! Tá vendo aquela vírgula lá no artigo 6º no projeto de ontem? Pois bem, ela
não está mais no de hoje. É outro texto! E eu já tinha planos de mudar a
palavra “todavia” por “entretanto” numa possível aglutinada para amanhã.
- E assim o texto seria
outro, certo?
- Exatamente! E também
porque era um pedido do deputado Heráclito Fortes, aquele com a boca mucha e com a voz do Sílvio Luiz que se absteve na primeira
votação por não concordar com o texto. Ele disse que aquele “todavia” deixava o
texto um tanto impreciso. Ainda bem que conseguimos explicar pra ele sem
precisar alterar. Cansa ficar repetindo o mesmo texto... ops! quero dizer,
alterando todo o teor da matéria para que possamos apresenta-la novamente e
novamente e novamente...
- Mas ainda depende de
aprovação em dois turnos no Senado. E se por acaso o Senado barrar, Eduardo
Cunha?
- Os senadores que se
atrevam! Eu prometi pra mim mesmo que isso seria aprovado.
- Mas não depende só do
senhor para que isso ocorra, isso é uma democracia. Existem regras e regimentos
a serem cumpridas. Não as conhece?
- Regras? Regimentos?
Acho que rasguei uns livrinhos assim que estavam na sala do presidente da
Câmara assim que fui eleito para reinar nessa casa. Seja como for, precisamos é
de pulso firme, não de regras e regimentos.
- Ainda sim o senhor não
tem poder sobre o senado. Como pode garantir que tal projeto seja aprovado
naquela casa?
- Simples, se eles não
aprovarem lá o projetinho que fiz votar aqui, criarei uma PEC que dissolve o
Senado e se não for aprovado nesta casa em primeira votação, vou dando aglutinadas
até que todos se convençam que eu, Eduardo Cunha, movo céus e terras, vírgulas
e “todavias”, e não desisto até conseguir o que eu quero. Afinal, sou o rei
cristão da Câmara eleito por deus para governar o povo.
- Mas Eduardo, isso não
é uma monarq...
- Cale a boca, repórter
chato! Ousa discordar de mim? Polícia, leve esse sujeito para as masmorras!
Tenho de mandar aglutinar muitas coisas hoje e ainda tem culto.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Não à inclusão carcerária
O dia de hoje nasceu com dois Sois: um resplandecente para os que lutam pelos direitos e pela dignidade humana; um turvo para os que querem incitar uma grande parte da população a acreditar num engodo.
A bancada da bala e da inclusão carcerária que queria a todo o custo reduzir a maioridade penal teve seus planos frustrados. Choraram, espernearam, gritaram e por vezes até onfenderam, pensando que assim conseguiriam empurrar goela abaixo essa matéria vil que seria mais um golpe contra a população das periferias, contra a juventude negra, contra a juventude pobre deste país.
Querem conservar e proteger a família brasileira, dizem eles. Mas que família? E quem são por eles considerados brasileiros? Ou nas periferias não há o que se considere família ou não são estas consideradas brasileiras, pois estes legisladores conservadores não as protegem nem defendem. Acaso defendem as famílias brasileiras quando invadem morros atirando primeiro e perguntando depois com sua polícia despreparada e até dolosa? E quando permitem que os governadores de seus próprios partidos cometam descalabros contra a Educação, estão defendendo as famílias? Ou serás que estariam defendendo as famílias brasileiras quando se esquecem que nas periferias não há o menor investimento em esporte, cultura e em lazer? A família brasileira é agredida muito antes da consumação de um crime, e vós, senhores conservadores, nada fazem para protegê-la. Querem agora puni-la ainda mais?
O deputado Ivan Valente foi muito feliz ao chamar a atenção destes deputados da inclusão carcerária dizendo que estes nunca votaram de forma séria os 10% do PIB para a Educação, que estes "defensores da família brasileira" preferem gastar 45% do orçamento para pagar juros de banqueiros (cuja maioria nem são brasileiros), mas que sempre se esquecem de pensar as políticas públicas que certamente teriam impacto maior na diminuição da violência do que a simples, vingativa e odienta punição.
Amanheceram hoje destilando veneno, dizendo que a maioria da população queria a redução. que essa maioria não foi respeitada. Essa maioria é a mesma que frequenta as escolas públicas que, por uma mera coincidência, são as escolas mais sucateadas. São dessas escolas sucateadas que saem tantos os criminosos quanto a maioria que cegamente defende tal medida. Querem tapar o Sol com a peneira com a falsa sensação de proteção criada pela "certeza da punição". A certeza da punição não restitui o que se perdeu nem impede que crimes ocorram. Continua o problema, mas tem-se a vingança. A bancada da inclusão carcerária quer apenas vingar, não sanar o problema impedindo que os delitos ocorram, e isso atende outros propósitos mais sórdidos ainda.
Se acham que o Estado está falhado, estejam ciente que vós sois parte principal deste Estado, meus caros conservadores legisladores. A falha do Estado é a vossa falha. Criar novas leis quando as já existentes não estão sendo devidamente cumpridas e vós que deveriam fiscalizar de perto o cumprimento destas leis não o fazem, materializa a mais pura tentativa de enganar a população carente com soluções que a marginalizam ainda mais, é querer mostrar serviço por meio de desserviço: isso é um erro, isso é um engodo.
E se vós, conservadores cristãos plantadores de engodos, ainda achais que a maioria tem sempre razão e que a vontade dela deve sempre ser respeitada, faço-vos lembrar que a maioria, detentora da razão, preferiu libertar Barrabás e condenar Jesus a morte. Penso que condenar é o que mais gostais de fazer.
Por fim, utilizo novamente a frase de Ivan Valente para resumir a questão: "Este Estado que não protege, que não acolhe, não pode punir!"
Viva a sensatez! Viva a juventude! Sim à Educação, à inclusão social! Não à redução e à inclusão carcerária!
Não passarão, senhores conservadores! Vosso latido é mais alto, mas nossa luta é justa e nossa gente mais aguerrida!
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