O grito que se forma no âmago d'alma
de pessoas que detestam injustiças
e desce do plenário ao púlpito feito enxurrada
tem sua gênese na forma torpe
com que alguns usurpam direitos
de outros que sequer sabem tê-los.
Ameaçada sua tirania pelos gritos
Um fazendeiro que cria humanos se defende:
convoca o exército azul
e mercenários que dele dependem
tentando continuar com os desmandos
sob a égide da ameaça e humilhação.
Dê ao povo o que é do povo!
é o grito insurgente
daqueles que em sua própria casa
por desmandos de tenentes
já não têm sequer a liberdade
de adentrar como bem queiram.
Impedir que o povo adentre
em uma casa sua por direito
Usar exército azul e capangagem
criar calúnias desse jeito
para calar os que têm coragem
de enfrentar vis ocupantes
se tornou prática comum nesta cidade.
Cáfila de sujeitos que dilapidam a cidade,
que por interesses privados
estupram a educação, violentam a saúde,
Não deveriam, pois, ser vós mesmos
imbuídos de tanto desprezo pela legalidade,
serem considerados malfeitores
e privados de entrar na casa que é nossa?
sexta-feira, 18 de abril de 2014
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Singelo convite
A falta de coerência presente nas matérias que tratam dos artefatos encontrados ontem na Câmara de Ribeirão Preto é gritante! Segundo a matéria veiculada na internet pelo jornal "A Cidade", os artefatos foram encontrados "após uma senhora denunciar 'atitudes suspeitas'". Se indivíduos suspeitos de fato tivessem escondido este tipo de artefato, estes deveriam ter sido abordados. Não o foram. Se de fato estes artefatos foram encontrados em uma moita, por que demoraram tanto para apresentá-los à imprensa, esperando que os manifestantes fossem embora para poder fazê-lo? Vais me objetar e dizer que somente encontraram tais artefatos depois da saída dos manifestantes? Achas mesmo que se um manifestante que escondeu tais objetos e não teve a oportunidade de usá-los, ao sair, não iria recolhê-los? É óbvio que iria. Vais me dizer que eles não o fizeram por medo de serem surpreendidos? Oras, eles teriam a coragem de sair das periferias da cidade portando tais artefatos sabendo que chegariam à Câmara e lá encontrariam policiais, mas teriam medo de fazer o caminho contrário? Isso beira o absurdo! Por que motivo eles deixariam tais objetos escondidos e não os recolheriam, sabendo que isso poderia servir justamente à causa do coronel?
É evidente que o que se queria era poder mostrar à imprensa os artefatos sem a presença de nenhum manifestante, para que somente fosse veiculada a versão da Guarda e dos capangas do senhor presidente do Curral. Esta atitude serviria de duas formas: em primeiro lugar serviria para rotular os manifestantes como vândalos, baderneiros, sujando, assim, junto à população local, a imagem de um movimento legítimo que luta contra as arbitrariedades desta gestão, contra a falta de ética destes que ocupam os cargos políticos da cidade, e, principalmente, contra o modo como estes fazem uso da máquina pública para atenderem interesses privados; em segundo lugar, o "fato" de terem "apreendido" tais artefatos durante a manifestação legitimaria a atitude arbitrária e repressiva adotada pela Câmara em revistar os que lá adentram, tentando, por meio de tal medida, evitar e/ou dificultar a participação popular.
É evidente a armação.
Dentro do plenário a coisa já estava armada para criar a imagem do protesto como algo feito por "baderneiros". A GCM (como podem ver pela foto), que estava fazendo papel de segurança particular dos vereadores, estava defronte aos presentes. Dentre os presentes haviam alguns que são conhecidos nas periferias da cidade por terem relações estreitas com o presidente do curral, sendo treinadores e/ou organizadores dos campeonatos de futebol que servem para angariar votos para o referido. Não quero entrar no mérito do direito destes indivíduos estarem lá, pois creio que seja direito de todos (inclusive deles) estarem presentes na Câmara. Contudo, o motivo de sua estada é torpe, hediondo, mesquinho, vil. Eles estavam lá somente para provocar briga, proferindo ofensas e até mesmo empurrando os que estavam contra os vereadores. O engraçado é que todos aqueles seguranças particulares pagos com dinheiro do povo não faziam nada para impedir que aqueles indivíduos tumultuassem daquela forma - até porque os vândalos deveriam ser os manifestantes contrários ao presidente da casa, e não os a favoráveis a ele, ainda que estes últimos se portassem como tal.
Como disse, estava tudo armado para difundir a imagem do movimento como algo feito por baderneiros que só querem atrapalhar o "bom andamento da Câmara". Como os sujeitos não conseguiram arrumar nenhuma encrenca que pudesse servir para uma fotografia manipulada da mídia (que certamente distorceria o ocorrido), coincidentemente foram apreendidos aqueles artefatos na situação já mencionada.
A falta de pessoas que se manifestem abrirá espaço para que esta administração dilapide mais ainda o erário público. É isso o que eles querem, é por isso que trabalham. Sujar a imagem de quem os denuncia e dificultar sua entrada na Câmara - que por sinal é do povo - é o que eles fazem para se livrar dos incômodos.
Se não me julgas digno de fé por eu fazer parte dos "baderneiros", tentarei ser o menos parcial possível, e convidar-te-ei a fazer uma reflexão e uma experiência.
Reflita até que ponto os vereadores têm um verdadeiro compromisso com a população se permitem os desmandos da prefeita que culminam com a falta de professores nas escolas e de médicos nos postos de saúde. Perceba ainda que mesmo com esta situação calamitosa os mesmos aumentaram o próprio salário. Faça essa reflexão!
Faça ainda a experiência de ir à Câmara para ver se o que digo sobre os capangas não é verdade; se não são eles quem incitam brigas e iniciam as ofensas.
Não se pode confundir a violência do opressor com a reação do oprimido. A violência é praticada primeiramente por quem acusa os manifestantes de vândalos. Sem contar que um ovo é menos letal que bala de borracha e gás lacrimogênio!
Não se pode confundir a violência do opressor com a reação do oprimido. A violência é praticada primeiramente por quem acusa os manifestantes de vândalos. Sem contar que um ovo é menos letal que bala de borracha e gás lacrimogênio!
Faça um pequeno exercício e note que a maioria das informações dadas pela imprensa partem de situações forjadas, que têm como objetivo caluniar os manifestantes, calar a voz da parte do povo que contesta para que a outra parte ainda calada assim se mantenha. Fazendo isso, no fim, o povo lutará contra o próprio povo, enquanto eles permanecem rindo de todos, protegidos por seus ternos e seguranças vestidos de azul.
Não podemos aceitar passivamente todas as notícias e informações que nos são apresentadas. Tudo deve ser questionado, inclusive este texto que ora escrevo. Por isso convido a quem o lê a fazer a experiência, para que vendo com os próprios olhos (e não os da imprensa e/ou os meus) possa tirar suas próprias conclusões.
É hora de acordar, de contestar, de questionar, de lutar, de mudar.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Ah, amigo meu!
Ah, amigo meu!
Não imaginas como é duro
acordar de madrugada;
Sem ter água na torneira
e ainda ter longa jornada.
Nossa "perfeita" demagoga
anda toda enrolada;
É um belo mal exemplo
pois a tal não paga a água.
Pra ter casa não adianta
trabalhar desde manhã;
Tem de falar com a "perfeita"
e pagar à sua irmã.
Num contrato meio estranho,
numa tal licitação;
Uma empresa muito lucra
com o aperto no busão.
Se de carro, amigo meu
aqui quiser dar uma andada;
É somente a zona Sul
que não tem rua esburacada.
A "perfeita", coronela
eu não sei como se atreve;
Não cumpre lei nenhuma
E a saúde vive em greve
Nas escolas, meu amigo
eu te digo: é um terror!
Se lá alguma coisa falta
é o tal do professor.
Nessa cidade linda e rosa
a triste sina é da criança;
Vida boa só pr'aquele
com cargo de confiança.
Embora morto há muito tempo
algo de seu ainda existe
"Mísero Comes" cópia é
do velho Coronel Schmidt
Aqui a história ainda vive
de uma forma sem igual;
Vereador se reelege
com curral eleitoral.
Mas se você, amigo meu
se sentir indignar;
É porque não sabe ainda
que aqui tem Stock Car!
Mas segundo a "perfeita"
ainda existe esperança;
Pois a nossa salvação
é a seleção da França
De tal país a História pode
nos servir de inspiração;
Pra tirar toda essa corja
e mudar tudo em Ribeirão.
Não imaginas como é duro
acordar de madrugada;
Sem ter água na torneira
e ainda ter longa jornada.
Nossa "perfeita" demagoga
anda toda enrolada;
É um belo mal exemplo
pois a tal não paga a água.
Pra ter casa não adianta
trabalhar desde manhã;
Tem de falar com a "perfeita"
e pagar à sua irmã.
Num contrato meio estranho,
numa tal licitação;
Uma empresa muito lucra
com o aperto no busão.
Se de carro, amigo meu
aqui quiser dar uma andada;
É somente a zona Sul
que não tem rua esburacada.
A "perfeita", coronela
eu não sei como se atreve;
Não cumpre lei nenhuma
E a saúde vive em greve
Nas escolas, meu amigo
eu te digo: é um terror!
Se lá alguma coisa falta
é o tal do professor.
Nessa cidade linda e rosa
a triste sina é da criança;
Vida boa só pr'aquele
com cargo de confiança.
Embora morto há muito tempo
algo de seu ainda existe
"Mísero Comes" cópia é
do velho Coronel Schmidt
Aqui a história ainda vive
de uma forma sem igual;
Vereador se reelege
com curral eleitoral.
Mas se você, amigo meu
se sentir indignar;
É porque não sabe ainda
que aqui tem Stock Car!
Mas segundo a "perfeita"
ainda existe esperança;
Pois a nossa salvação
é a seleção da França
De tal país a História pode
nos servir de inspiração;
Pra tirar toda essa corja
e mudar tudo em Ribeirão.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Justiça Quimérica
A
sociedade me incomoda
ao
apregoar certa justiça,
Com
discursos que nos levam
a
adotar uma mentira.
Fomentada por quem pode,
consumo
vira objetivo.
Fetichização
da mercadoria:
tem
de comprar sem ter motivo
E o ser humano virou número,
numa
lógica absurda, lamentável.
E aquele que não se adéqua,
se
torna lixo, inútil, descartável.
Na sociedade de consumo,
TER
ou NÃO TER é a questão:
Ou
se vive como o dita a moda,
ou
o destino é a exclusão.
A Tal justiça propalada,
diz
que "todos são iguais"
Ser
rico ou pobre, não importa,
advém
de direitos universais.
Essa igualdade só consiste
no
direito de comprar.
Pois
só rico tem direito
de
governar e de pensar.
Mesmo o consumo não é justo,
e
pra cada classe tem lugar
Pois
quando pobre vai ao shoping,
é
proibido de entrar.
Na teoria: linda e bela,
mas
que na práxis não se faz:
Justiça
burguesa que garante,
vantagem
à quem tem ricos pais.
Triste destino tem o pobre,
de
várias formas coagido.
Trabalhar
e continuar pobre?
ou
tentar sorte e ser bandido?
É hediondo e absurdo,
e
eu não sei como é que pode.
Tão
cruel sistema ainda fazer
lutar
pobre contra pobre.
Na obsessão de enriquecer,
bandido
pobre rouba pobre vizinho,
que
é mão de obra explorada,
e
ganha pouco, bem pouquinho.
E o vizinho acreditando
que
só o bandido que é o mal
Pede
ao Estado, o "bonzinho"
que
o trate feito um animal
Não sou louco, leviano,
e
não aprovo tais condutas.
Mas
digo que o Estado é
o
maior culpado destas lutas.
Quando o Estado esquece o pobre
não
dá saúde, lazer, educação,
para
ser rico, que é o que se pede,
ou
é mega-sena ou é ser ladrão.
Vais me objetar sobre o trabalho?
Direis
que não posso me esquecer!
Mas
tu conheces algum pobre
que
trabalhou e conseguiu enriquecer?
Vais me falar do Sílvio Santos?
E
que não é só ele não?
Mas
o discurso cria a regra
A
partir de uma exceção.
Este Estado muito "justo",
que
aos pobres tem se omitido,
Puni
com pobreza quem trabalha,
e
com prisão quem é bandido.
Mas o que o Estado não fala,
É
que puni antes dos grilhões.
Desde
que o pobre indivíduo nasce
E
não lhe dá mais opções
Banditismo e mendicância,
são
efeitos de uma História
Em
que rico governa e cria leis,
nas
quais o pobre só se esfola.
Quado os poucos que percebem
essa
armadilha bem armada
Vão
à luta protestar,
e
levam muita borrachada.
Tranquilo é ganhar um jogo
em
que só eu que sei a regra.
As
leis que classe rica cria.
servem
tão somente à ela.
Quando o povo se der conta,
e
perceber a tal mentira
Essa
quimera ruirá,
e
poderemos ter justiça.
sábado, 28 de dezembro de 2013
Quem deveria ter a entrada barrada na Câmara Municipal de Ribeirão Preto?
Ontem, no jornal Noticidade (SBT), o apresentador
contou com a presença do futuro presidente da Câmara Municipal de Ribeirão
Preto, Walter Gomes, para prestar esclarecimentos e apontar quais os grandes
desafios que o mesmo acreditava encontrar em sua nova função. Obviamente que as
manifestações ocorridas durante todo o ano foram pauta, e a respeito dessas
manifestações é que as questões mais polêmicas foram suscitadas.
O senhor Walter Gomes, que há muitos anos se faz
presente na Câmara Municipal - se reelegendo por meio de um curral eleitoral
cujas cercas delimitadoras são as grades em volta dos campos de futebol - afirmou
que a partir de sua gestão os cidadãos terão suas bolsas revistadas para terem
acesso ao plenário. Da mesma forma, afirmou categoricamente que indivíduos “mascarados”
não irão ter acesso ao local. Segundo o futuro presidente da Câmara, todas
estas medidas seriam necessárias para garantir a integridade física dos
vereadores, para impedir que a violência tomasse conta das sessões.
Contudo, qual seria o medo que permeia os
pensamentos dos vereadores e que culminou com esta ação arbitrária do próximo
presidente da casa legislativa?
Provavelmente o medo que os acomete gira em torno de
uma articulação da sociedade civil que, cansada da conduta coronelesca de
grande parte de seus representantes políticos, resolveu tomar uma atitude
renovadora, que tomou grande força com o “não reeleja” e culminou com o
cancelamento da sessão da Câmara semana passada. Esta postura da sociedade, se
não põe fim aos desmandos destes senhores, dificulta-lhes a ação, o que lhes
causa grandes constrangimentos entre si em suas obscuridades praticadas no
submundo político de Ribeirão Preto.
O senhor Walter Gomes, ao citar os ovos e o sinalizador
atirados contra o então presidente da Câmara, Cícero Gomes, afirmou que se o
mesmo indivíduo – patrimônio tombado da casa – tivesse sido atingido,
certamente estaria com problemas em sua saúde. Sendo assim, a ação coercitiva (revista)
contra os cidadãos que assistem às sessões seriam justificadas, pois além de
garantir a integridade dos vereadores, impediria que os “vândalos” depredassem
o patrimônio público.
Oras, isso só pode se tratar de uma piada, senhor
vereador! Já ouvi falar que ingerir ovo em excesso pode causar o aumento do
colesterol, mas nunca que uma ovada pudesse causar algum tipo de doença (Mário
Covas que o diga). Se assim o fosse, muitas crianças certamente morreriam nas
filas dos postos de saúde (área também sucateada) de nossa cidade nos dias de
seus aniversários, onde muitas levam um número excessivo de ovadas de seus
amigos. Tampouco creio, vereador, que os sinalizadores possam causar algum tipo
de dano maior que as balas de borracha e spray de pimenta que portavam os
policiais postados por vossas senhorias na Câmara e que estavam prontos para
reprimir os verdadeiros donos da Casa: o povo. Um ovo ou um sinalizador lançados
contra um político nunca serão causa de doença, tal como pretendes, vereador,
mas sim efeito de doenças crônicas que acometem a cidade de Ribeirão Preto: a “corruptose
aguda”, a “ineficiênciatíase”, a “coronelite”, a “interessiti particulariosi”
que corrói a máquina pública, entre outras doenças.
Tampouco creio, vereador, que qualquer coisa
quebrada dentro da Câmara Municipal (o que não me recordo ter acontecido) custe
mais caro aos cofres públicos do que o aumento salarial que os senhores mesmos
se concederam há pouco tempo. Tampouco custariam mais caro que os salários exorbitantes
pagos pelo executivo para custear os cargos de confiança e que os senhores
(maioria governista) não fazem questão de questionar a verdadeira necessidade.
Tenho por certo que maior depredação ao patrimônio
público ocorre quando usais do poder que lhes foi concedido pelo povo para agir
contra o próprio povo, como nessas situações citadas. Um outro exemplo de como
se depreda patrimônio público foi dado com vossa intenção de aprovar o
inconstitucional e imoral projeto de lei que visava a prorrogação dos contratos
dos professores emergenciais. Vós estais a depredar o maior patrimônio que a
cidade tem, e cujo valor não se mede em cifras: as crianças e adolescentes de
Ribeirão Preto. Ao negar-lhes o direito à educação de qualidade estais
comprometendo o futuro destas mesmas crianças, e certamente garantindo as vossas
continuidades na Câmara, pois são estes que vão jogar os campeonatos de futebol
nas periferias da cidade, são os mesmos que dependerão de cestas básicas para
sobreviver, não é mesmo, senhor vereador?
No dia de sua eleição como presidente da Câmara,
senhor vereador, recordastes mais uma vez das dificuldades que tivestes de
enfrentar para chegar a tal posição. É uma bela história de superação. Contudo,
o que tens feito com o cargo que lhe foi confiado por aqueles que sofrem tanto
ou mais do que sofrestes? Tua história de superação parece servir apenas como
meio de comover aos que te escutam, e não para garantir que a situação dos menos
afortunados melhore. Em vez de fiscalizar os desmandos do executivo, uniu-se à
prefeita, e estás ajudando na falência da cidade. Saindo de onde saiu e
chegando a onde estás, deverias lutar para a que a população tivesse melhores
condições, mas pelo visto queres continuar na posição que se encontra. Isto explica
o porquê de dificultar que os cidadãos entrem na casa que é deles.
Como afirmou Leonardo Sacramento em uma entrevista “A
Câmara não é um patrimônio dos vereadores”, senhor futuro presidente, mas um
patrimônio da população que vossas senhorias estão depredando com conduta tão
vil. Os vereadores que colocam o interesse particular ou de um grupo acima do interesse público é que deveriam ser revistados pelo Ministério Público e impedidos de entrar na Câmara. A pior máscara não é aquela artificial que é colocada, mas a natural que está sendo usada por muitos dos vereadores, e que enganam muito mais.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
2013, 2013!!!
Como resumir em poucas
palavras o que o ano de 2013 representou em minha vida? Creio não ser possível
para alguém acostumado a escrever muito, a expandir, suprimir por meio de um
resumo boa parte do vivido neste ano. Sendo assim, conforme minha memória for
dando o ar da graça e a minha limitada capacidade de escrever me permitir,
tentarei expressar o que significou o ano 2013, mesmo que um resumo não seja
bem minha característica.
Dentre as várias realizações ocorridas este ano, creio que a maior de todas foi a de ter tido a honra de lecionar na escola onde aprendi a ler. Creio não haver palavra em nosso idioma que traduza tal sentimento. Vinte anos após minha entrada como aluno no Alfeu Luiz Gasparini retornei enquanto Professor. Neste período, dentro de minha limitação, esforcei-me por tentar passar alguma coisa aos alunos (que hoje posso chamar de amigos) que lhes fosse proveitosa. Não sei até que ponto obtive êxito, mas certamente foi algo inesquecível para mim.
Embora o dia de minha saída tenha sido extremamente triste por ter de deixar um lugar tão especial para mim, fui ao mesmo tempo (junto com os outros amigos que também saíram) agraciado com o carinho de grande parte dos amigos alunos que fiz. Creio que qualquer professor seria muito mais feliz com sua profissão se tivesse recebido o carinho que recebi nesta ocasião. Certamente essa atitude intempestiva dos alunos não se deu senão por um vínculo que fiz questão de cultivar, seja conversando a sós sobre diversos assuntos, seja tocando flauta durante o recreio, seja jogando futebol na última aula.
Certamente, os alunos do Alfeu fizeram com que este ano fosse o melhor de minha vida.
Para além do Alfeu, outra instituição de Ensino marcou meu ano de 2013: o Barão de Mauá. Para ser sincero, mais os amigos e professores do que necessariamente a instituição. Contudo, não há como negar que foi lá um dos momentos de maior realização de minha vida: a formatura. Lá tornei-me Professor, em contato com ótimos professores e ótimos amigos. Sem isso, certamente a própria satisfação de voltar ao Alfeu como Professor seria possível.
Não há como negar que este ano foi de fato repleto de realizações, sendo que uma delas (posso dizer envaidecidamente), foi a nota 10 que conquistei em minha monografia. Depois de nove longos meses e 144 páginas depois, ser coroado com tal nota deixou-me muito feliz. A mesma felicidade senti ao ser selecionado para a Iniciação Científica.
Embora coisas ruins também tenham permeado este ano, no-las citarei. Prefiro apenas dizer que existiram, sem remoê-las e rememorá-las, pois prefiro compartilhar somente as boas coisas. O ano de 2013, entre coisas boas e ruins, certamente foi o melhor que tive até então, pois foi um ano de realizações pessoais sem igual. Infelizmente, eis que ele chega ao seu final. Todavia, certamente guardarei as recordações dele na memória, e sempre que revisitar os fatos ocorridos em período tão bom de minha vida, certamente a mesma felicidade que ora sinto se fará presente.
Às pessoas que compartilharam este ano comigo e ajudaram a torná-lo o mais significativo de minha vida, deixo meus sinceros agradecimentos!
Dentre as várias realizações ocorridas este ano, creio que a maior de todas foi a de ter tido a honra de lecionar na escola onde aprendi a ler. Creio não haver palavra em nosso idioma que traduza tal sentimento. Vinte anos após minha entrada como aluno no Alfeu Luiz Gasparini retornei enquanto Professor. Neste período, dentro de minha limitação, esforcei-me por tentar passar alguma coisa aos alunos (que hoje posso chamar de amigos) que lhes fosse proveitosa. Não sei até que ponto obtive êxito, mas certamente foi algo inesquecível para mim.
Embora o dia de minha saída tenha sido extremamente triste por ter de deixar um lugar tão especial para mim, fui ao mesmo tempo (junto com os outros amigos que também saíram) agraciado com o carinho de grande parte dos amigos alunos que fiz. Creio que qualquer professor seria muito mais feliz com sua profissão se tivesse recebido o carinho que recebi nesta ocasião. Certamente essa atitude intempestiva dos alunos não se deu senão por um vínculo que fiz questão de cultivar, seja conversando a sós sobre diversos assuntos, seja tocando flauta durante o recreio, seja jogando futebol na última aula.
Certamente, os alunos do Alfeu fizeram com que este ano fosse o melhor de minha vida.
Para além do Alfeu, outra instituição de Ensino marcou meu ano de 2013: o Barão de Mauá. Para ser sincero, mais os amigos e professores do que necessariamente a instituição. Contudo, não há como negar que foi lá um dos momentos de maior realização de minha vida: a formatura. Lá tornei-me Professor, em contato com ótimos professores e ótimos amigos. Sem isso, certamente a própria satisfação de voltar ao Alfeu como Professor seria possível.
Não há como negar que este ano foi de fato repleto de realizações, sendo que uma delas (posso dizer envaidecidamente), foi a nota 10 que conquistei em minha monografia. Depois de nove longos meses e 144 páginas depois, ser coroado com tal nota deixou-me muito feliz. A mesma felicidade senti ao ser selecionado para a Iniciação Científica.
Embora coisas ruins também tenham permeado este ano, no-las citarei. Prefiro apenas dizer que existiram, sem remoê-las e rememorá-las, pois prefiro compartilhar somente as boas coisas. O ano de 2013, entre coisas boas e ruins, certamente foi o melhor que tive até então, pois foi um ano de realizações pessoais sem igual. Infelizmente, eis que ele chega ao seu final. Todavia, certamente guardarei as recordações dele na memória, e sempre que revisitar os fatos ocorridos em período tão bom de minha vida, certamente a mesma felicidade que ora sinto se fará presente.
Às pessoas que compartilharam este ano comigo e ajudaram a torná-lo o mais significativo de minha vida, deixo meus sinceros agradecimentos!
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Discutindo o antropocentrismo na obra "A criação do homem", de Michelangelo.
Os séculos XIV e XV representaram a quebra de um paradigma pautado
na religiosidade que há muito tempo imperava na Europa. Este período
representou uma mudança tão grande no pensar e no representar o
mundo, que os Iluministas (que se diziam os portadores da verdade)
reconheceram nos homens que nele viveram os seus predecessores.
Denominaram-no, pois, Renascimento.
Segundo os Iluministas, durante estes séculos o homem (ou parte
deles) conseguiu se libertar do “obscurantismo” da Igreja
Católica, que se dizendo a intermediadora entre Deus e o mundo,
teria o monopólio da verdade divina e de todo conhecimento por
consequência. Embora o Renascimento seja normalmente estudado no
campo das artes, sua influência se estendeu por uma gama enorme de
áreas. A própria chegada do europeu à América aponta para a
influência renascentista para além da arte.
Enfim, o Renascimento esteve, a grosso modo, pautado no estilo
greco-romano de arte e técnica (que a Igreja “não apreciava”,
por isso a volta a este estilo foi denominada Renascimento), um
pensar e fazer o mundo com base em conhecimentos empíricos, a partir
das experiências humanas, um antropocentrismo, que a partir daí
buscava a perfeição das formas, não somente a mensagem
(principalmente religiosa) que era o objetivo da arte sacra.
Vale salientar que as precursoras deste “renascimento” foram as
cidades-estado italianas, que durante a Idade Média, dominaram o
comércio europeu, dada sua posição geográfica privilegiada no Mar
Mediterrâneo, que as colocavam no meio do caminho entre o Oriente
Próximo e o interior do continente. Cidades comerciais que eram,
tinham um grande fluxo de pessoas de origens múltiplas, o que
facilita as trocas culturais, elemento indispensável para a quebra
de paradigmas. É justamente neste contexto e nessas cidades
italianas que se insere Michelangelo, de quem a autora Léa Sá
analisa algumas obras.
Segundo a autora, “Arquiteto, escultor, pintor, poeta e engenheiro,
Michelangelo Buonarroti [...] não conhecia limitações” (SÁ,
2001, p. 51). O artista fora convocado pelo Papa Júlio II para
pintar a abóboda da Capela Sistina, que ainda estava virgem:
O artista tentou esquivar-se
dessa encomenda; no entanto, o Papa se manteve irredutível.
Começou, então, Michelangelo a
elaborar um modesto esquema [...] e a contratar ajudantes [...]
Repentinamente, fechou-se na capela, não deixou ninguém se acercar
dele e começou a trabalhar sozinho num plano que assombrou o mundo
desde o instante em que foi revelado. (SÁ, 2001, p. 51-52).
“A criação do homem” é apenas uma das imagens contidas no teto
da Capela Sistina, sendo uma das mais conhecidas entre elas. Segundo
Sá, muitos outros artistas já haviam pintado Adão no momento da
criação, “mas nenhum deles se aproximara sequer de expressar a
grandeza do mistério da Criação com tamanha simplicidade e
força”(SÁ, 2001, p. 53) como Michelangelo.
Nesta obra ficam claros os elementos renascentistas, pois a análise
da autora aponta para o fato de que “Adão [...] está deitado no
chão, exibindo toda a beleza e vigor que condizem com o primeiro
homem” (SÁ, 2001, p. 53). Beleza e vigor, ideais greco-romanos que
voltaram a fazer parte da arte renascentista. A perfeição das
formas é um marco do renascimento, seja nas esculturas, seja nas
pinturas ou em outro campo.
A autora aponta ainda que a pintura retrata a grandeza de Deus no ato
da criação, dando vida a mais bela de suas obras: Adão. Sá, ao se
apropriar da obra de Michelangelo, representa a criação desta
forma:
Desde a criação de Adão,
Michelangelo coloca em evidência a transparência mítica do divino
e sua irremediável perda, a ausência, a distância que, eternamente
e desde a origem, separa a criatura do Criador, o homem da Criação.
Há um espaço entre o plano do
Criador e o plano da criatura. E é justamente neste espaço
simbólico, metafórico, que o dedo indicador da mão direita do
Criador toca a mão esquerda da criatura. A mão inerte, sem vida, de
um ser que contempla o poder, a energia da transformação. SÁ,
2001, p. 55)
Segundo a autora, a obra de Michelangelo tem no ato do “quase
toque” entre Deus e o homem seu clímax, pois o gênio do artista
conseguira, por meio de um “não toque”, representar a separação,
a distância existente “eternamente e desde a origem” entre
Criador e criatura. Embora Adão seja a imagem e semelhança de Deus,
e consequentemente tenha suas formas retratadas pelo pintor com
aparente perfeição, os planos em cada um está apontam para as
diferenças entre ambos. Segundo a apropriação que Sá têm da
obra, o ponto central da mesma seria o quase toque entre Deus e o
homem, e a mensagem contida nisso seria a magnanimidade do Criador,
que envolto por anjos, ao dar vida a sua criação, é contemplado
por ela.
Discordando de Léa Sá, ouso também apropriar-me de tal obra, e
apontar qual leitura faço da mesma.
A autora vê na obra a contemplação de Adão ao seu criador.
Contudo, pautado em algumas evidências encontradas no contexto
histórico e no próprio texto de Léa Sá, creio que Michelangelo
possa ter passado outra mensagem no Afresco.
Se pararmos para pensar que o renascimento (embora o termo tenha sido
usado não pelos contemporâneos, mas tenha sido dado pelos
Iluministas séculos depois) tinha por principal característica o
antropocentrismo, a tentativa do homem conhecer o mundo por si mesmo,
o que necessariamente significa quebrar com algumas “verdades
divinas”, poderemos fazer uma releitura da obra tendo o homem
como centro e emissor da mensagem, não mero contemplador da
divindade.
Atendo-se ao texto de Sá, veremos que a mesma, ao descrever parte
dos talentos de Michelangelo, afirma que ele era versado em várias
artes, o que aponta para um indivíduo que tinha no conhecimento
empírico uma satisfação e uma forma de pensar. Era ele quem
conhecia e fazia por si mesmo, sem esperar, necessariamente, uma luz
divina que lhe revelasse o conhecimento.
Da mesma forma, encontramos no texto referência a uma certa
autonomia do artista, evidenciada em uma possível resistência ao
Papa, haja visto que segundo a autora ele tentara recusar o serviço,
sendo dissuadido pelo Papa Júlio II a aceitá-lo. Essa postura de
negar ao Papa (ou de tentar negar) demonstra seu gênio extremamente
excêntrico e humanista, por não aceitar prontamente o pedido do
sumo pontífice, tentando fazer valer a vontade do homem face ao
representante de Deus na Terra.
Se o meio não é determinante das ações do indivíduo, ele é
condicionante. Todavia, dentro das limitações impostas pelo lugar
social do indivíduo, o mesmo pode apropriar-se das representações
e modificá-las. Michelangelo, não podendo se negar a pintar a
Capela para o Papa, mesmo frustrado o fizera. Todavia, valendo-se de
estratégias que fogem às determinações impostas, se apropriara de
passagens bíblicas e a representara segundo uma lógica humanista.
Creio que Michelangelo possa ter tentado passar uma mensagem
puramente antropocêntrica na citada obra. Ou seja, a obra tem o
homem como centro, e não Deus. O homem (não creio que esteja sem
vida como aponta a autora) está sentado de uma maneira muito cômoda,
muito displicente para quem está contemplando em êxtase a magnitude
de seu divino Criador. Embora Sá aponte que na obra eles não se
tocam, creio que a mensagem passada não seja a diferença dos mundos
do Criador e da criatura que impede esse toque, mas representa a
separação entre o homem iluminista, racional, e a Igreja. Ao
contrário de Adão, que parece não fazer questão que isso ocorra.
Deus, parece estar se esforçando muito para poder tocar em sua
criação. Parece um esforço motivado por uma paixão humana. Os
anjos ao verem Deus nessa situação, tentam segurá-lo e puxá-lo
novamente para o seu plano, fazendo com que recobre a consciência.
Neste releitura, talvez leviana, Michelangelo não aponta para a
criação em si, mas para o homem renascentista, que vê na divindade
algo comum, sendo ele mesmo, o homem, o agente do saber e do fazer,
sendo desnecessário correr atrás de Deus. Ao contrário disso, Deus
representaria a própria Igreja, que “sendo a portadora dos dons
divinos” não consegue fazer obra de grande expressão, tendo de
correr atrás dos homens (atrás dele, no caso) para a realização
de algo. Neste caso, o Adão representaria o próprio Michelangelo,
que estava indiferente ao trabalho dado pelo Papa a ponto de tê-lo
recusado de início, tendo, posteriormente, de ser curvar aos
caprichos do Papa.
Oras, não se pode negar que os artistas do Renascimento ainda viviam
em um mundo cuja religiosidade era extremamente importante, tampouco
se pode negar aos indivíduos sua capacidade inventiva, de criar maneiras novas de interpretar e viver o mundo a sua volta. Se os mecenas
podiam se colocar (serem pintados) em cenas sacras, os artistas
poderiam também criar uma obra com sentido por vezes distinto do
esperado, ainda mais frustrado por ter de aceitar um serviço que não
queria. Em plena especulação como me acho, defendendo uma “teoria
da conspiração”, por que Michelangelo escolhera se isolar e
pintar uma obra de tal monta sozinho? Não seria acaso pelo fato de
estar pintando algo distinto do esperado por uma certa vingança,
necessitando de um sigilo que somente ele poderia guardar, afim de
não ser atrapalhado em seu intento?
Não sendo possível apreender as verdadeiras intenções do artista,
creio que ficará a indagação sem resposta, mas deixo patente minha
discordância ao sentido atribuído pelos grandes estudiosos da arte.
BIBLIOGRAFIA:
CHARTIER,
R. O mundo como
representação.
Estudos Avançados.
São Paulo: USP, 11(5), 1991, p173-191.
SÁ,
L. S. B. de. O dito e
o escrito em três
cenas da Capela
Sistina: A
Criação
do Mundo,
A
Criação
do Homem
e a Criação
de Eva,
In_SALZEDAS, N. A. M.
Uma
leitura do ver: do visível ao legível. São
Paulo: Arte
e Ciência
Villipress,
2001, p. 51-58. disponível em:
http://books.google.com.br/books?hl=pt-PT&lr=lang_pt&id=oQCG1eD1pw8C&oi=fnd&pg=PA51&dq=michelangelo+a+cria%C3%A7%C3%A3o+do+homem&ots=xRmVP5nrTS&sig=MLyWshg3WQ2dfhK3Zdlf-lGZq0s#v=onepage&q=michelangelo%20a%20cria%C3%A7%C3%A3o%20do%20homem&f=false,
acessado
em 30/09/2013
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